O Massacre de Realengo.
Desde os primórdios das discussões geradas sobre algo que pudesse ter impedido que Wellington Menezes realizasse seu assassinato em massa, foi o desarmamento. Existe algo com o qual estamos acostumados a aceitar como impossível: as ficções. Vemos e automaticamente nos distanciamos como se jamais tais situações como estas pudessem acontecer na realidade. Para figurar o caso, lembro o filme "O Homem de Ferro", em que um magnata bilionário e famoso constrói e vende para todo o mundo armamento de alta tecnologia. No caso desta ficção podemos ter um retrato indireto de como funciona essa engrenagem no mundo, mas somos treinados à sugarmos as ficções como algo improvável, e deixamos de entender que muito pode ser mais do que nossos momentos de entretenimento nos proporcionam.
Ainda sobre cinema, e agora entrando no âmbito religioso que foi questionado aos motivos de Wellington, lembro do trabalho do diretor Ron Howard, que iniciou seus filmes com temática religiosa com "Código da Vinci" e posteriormente "Anjos e Demônios", no qual aborda a lenda dos "Illuminati". Isso para ilustrar que de fato possam existir cultos religiosos, como podemos ver na carta deixada por Wellington. Se é verdade ou não, se os motivos são puramente doentios ou realmente expressam motivações que vão além de nossa compreensão, ninguém que saiba está disposto a nos falar.
Para isso, peço que assista a entrevista do psiquiatra Valentim Gentil Filho para o Programa Roda Vida da TV Cultura, que dentre muitas das colocações e estudos sobre patologias que podemos inserir no perfil de Wellington, está a assustadora estatística de que "...o atendimento a doentes mentais ou é ruim ou é inexistente.". E isso se reforça no caso do Brasil. Ou seja, o mundo não tem preparo para prever ou se previnir de casos pontuais e extremos como foi a da Escola Municipal Tasso da Silveira no Rio de Janeiro. O medo posto em pauta após o caso de Realengo foi o incentivo a demais tragédias como esta.
Dois dias depois do Massacre de Realengo, um homem na Baixada Santista/SP matou 1 e feriu 6, de carro, parava e atirava sem motivo. Dentre outros casos.

